domingo, novembro 13, 2005

Porque há dias em que recebemos os resultados das nossas avaliações…

Quando o meu supervisor me disse: “No final da chamada mete código 3 e vai ter comigo.” fiquei assustado, o meu nível cardíaco aumentou, o meu cérebro entrou no red line e infelizmente esqueci-me do que o cliente me tinha pedido, nada que não se contornasse.

Em menos de dois minutos já estava com o meu supervisor, que já tinha as folhas da avaliação na mão, quando ele me disse para irmos para uma sala de reunião, juro que me passou pela cabeça que ia ser despedido. Afinal de contas, toda a gente sabe que a sala de reunião é a sala do castigo.

No entanto, depois de já estarmos sentados, ele deu-me a folha com o resultado das avaliações, 75%, e disse-me que eu o tinha surpreendido pela positiva. Não por ser trabalhador pois isso ele foi-se apercebendo ao conhecer-me melhor mas, por ter muito pouco tempo de casa. No entanto, e a nível de planos de melhoramento, disse-me que tenho que deixar de falar numa voz monocórdica. Acrescentando ainda que para controlar o tom de voz tenho que trabalhar na minha autoconfiança, porque segundo o que ele ouviu, quanto mais a situação me deixa pouco à vontade, mais monocórdica a minha voz se torna.

No entanto, e apesar de ter ouvido mais alguns elogios e também outras dicas para melhorar, para alguém que entrou naquela sala em pânico a pensar que ia ser dispensado, pedir para se tornar mais seguro é sem duvida o mais complicado dos pedidos.

Sinto-me inseguro em relação ao meu trabalho, em relação à minha escola, em relação à minha vida em geral, afinal de contas se perdi uma das coisas em que me sentia mais seguro na minha vida perdia de um momento para o outro sem sequer ter tempo para me aperceber do que se estava a passar qual é a garantia que tenho em como as outras situações estão seguras.

sexta-feira, novembro 11, 2005

segunda-feira, novembro 07, 2005

Porque há dias em que precisamos de mudar

Porque eu não vejo todos os dias as mesmas caras...
Porque eu não acordo todos os dias bem disposto...
Porque eu não oiço todos os dias as mesmas musicas...
Porque eu não leio todos os dias os mesmos livros...
Porque eu não escrevo todos os dias da mesma maneira...
Porque eu não venho todos os dias pela mesma estrada...

Porque não há dias iguais... Também o meu blog ficou diferente...

Fico à espera de comentários

domingo, novembro 06, 2005

Porque há dias em que não são os clientes a dizer as asneiras

- Eu não consigo enviar sms. Dá sempre “Falha no envio”!
- Senhora X, já verificou se o número do centro de mensagens está bem configurado?
- Não. Como é que eu faço isso?
- Qual é o equipamento que está a utilizar?
- Diga…
- Qual é o telemóvel que está a utilizar?
- Diga…
( No limiar da minha paciência infinita)
- Senhora X, qual é a marca e o modelo do telemóvel que está a utilizar?
- Philips Diga.
- ( Ups, já disse merda! ) Exactamente, senhora X, pode aguardar enquanto eu verifico como podemos aceder à configuração do centro de mensagens?

Porque há dias em que não sabemos o que responder

- Boa tarde! Eu queria saber a quem pertence um número 96 que tenho aqui.
- Senhor X, para obter essa informação tem que ligar para a Lista Telefónica da TMN marcando o 1896.
- 1896?
- Exacto senhor X, 1896.
- Está bem! E já agora, marco primeiro o 18 ou o 96?
(Depois de uns breves segundos em silencio, durante os quais eu tentei perceber se o cliente estava a gozar comigo)
- Senhor X, talvez seja melhor marcar o 18 e depois o 96. (Quer dizer, digo eu!)

sexta-feira, outubro 14, 2005

Porque há dias em que não sabemos em que havemos de pensar

Now I wish I could writhe something, not because I wish that someone could read me, but just because I wish that my mind could have some conclusion. In this moment my mind it’s like a new TV set in the hands of a little boy, zapping between posts, to fast to understand any thing, too slow to run away from reality.

I’m thinking about my live, when I was at the 12º grade, with my friends and my family and I feel sad because I miss it and I know that I will never more have it back. But then again I’m thinking about my dream with my father, so real but so strange, and I feel anxious because I saw him so near but I know he's so far. But then again I’m thinking about my school changing and I feel afraid to fail. But then again I thinking about my father and all this story about his death and I feel angry, it just don’t make any sense, if I don’t ever see him appear in my live why do I have to see him disappear? But then again I’m thinking about my mother alone, sad and with so many problems and I feel useless. And then again I thinking about my friends and the way I talk to them and I feel boring. But then again… I stop thinking for a few second’s… I look around, I see so many people, and I feel lonely.

I arrive to a time when I know that I’m strong but I feel weak, when I don’t do almost nothing but I feel tired… when I know I’m smart but I don’t understand anything.

Like someone said: there’s a time in live that we have to face changings… changings that we never thought that could had happen yesterday… There's a time in live that we have to say goodbye to those who were always next to us… There’s a time in live that we wish to give up everything, and just stay quiet and alone but we have to face our afraid. And these times arrive for me.

I don’t need that person have peaty of me because I believe that in nature everything is in equilibrium. So if this is happening to me it mean’s that I can handle it.

In this moment I can feel weak and happy for the past I had, sad for the present I’m living, but I feel that I will, one of these days, wake stronger than ever for the future. Like once my brother said:

“Aquilo que na vida não nos mata, torna-nos mais fortes.”

terça-feira, outubro 11, 2005

Porque há dias em que fazemos uma grande descoberta

Não há palavras para descrever... Simplesmente enjoy-it

sábado, outubro 08, 2005

Porque há dias em que não queremos acreditar no que ouvimos

Deixo-vos mais um pouco de uma conversa que tive com um cliente ontem:
-É que eu comprei este cartão à uma data de tempo e perdi o PIN e o PUK, podias-me dizer quais são?
-Com certeza senhor "X". No entanto é necessário confirmar-me algum dado. Pode me indicar por favor o seu numero de contribuinte?
-Numero de contribuinte? Eu aqui só tenho dois cartões: o de utente ou o dos impostos. Algum serve?

Mais um génio.. Só é pena não continuar adormecido, dentro de uma lampada, durante mais 1000 anos!

terça-feira, outubro 04, 2005

Porque há dias em que temos de nos despedir das pessoas de quem amamos

«A morte não é nada. Só me esgueirei para a sala ao lado. Eu sou eu e tu és tu.

O que fomos um para o outro, ainda o somos.



Trata-me pelo meu nome velho e familiar e fala comigo da maneira simples que sempre falaste; não uses um tom diferente; não ponhas um ar forçado de solenidade ou pesar; ri, como sempre rimos com aquelas pequenas anedotas que nos divertiam aos dois; reza, sorri, pensa em mim, reza por mim; deixa que o meu nome continue a ser referência que sempre foi; deixa que ele seja dito sem dramatismo, sem o traço de uma sombra.

A vida significa o que sempre significou; é igual ao que sempre foi; há uma continuidade interrompida. Por que é que eu tenho de estar longe do coração, só por estar longe de vista? Estou à tua espera, durante um intervalo, algures aqui muito perto - logo ao virar da esquina. Está tudo bem.»
Anónimo

segunda-feira, setembro 05, 2005

Porque há dias em que não me apetece ouvir:“Dance... Dance… Like I was sixteen…”

“Dance... Dance… Like I was sixteen…”

Enquanto o meu supervisor deixa-me um pouco em hold a ouvir David Fonseca, aproveito para começar a escrever um novo post.

Deste o ultimo post’s que tenho recebido algumas queixas. Houve quem me chama-se à atenção que já algum tempo que eu não publicava nada, outra pessoa chamou-me à atenção para o facto de eu não estar a conseguir transmitir a agressividade com que os clientes nos falam, e outras houve que apresentaram a sua reclamação no âmbito de um qualquer assunto que está a ser analisado. Então o que se passa é o seguinte, antes de mais lamento muito mas depois de passar seis horas por dia a olhar para um monitor de 15’’ quando chego a casa, apesar do vicio obrigar-me a ligar o msn e a ir ver os mail’s lamento mas a vontade de me sentar a escrever não é muita. Em relação ao facto de não conseguir transmitir a agressividade dos clientes deve-se ao cansaço e à indiferença que começa a crescer em mim. Na primeira vez que um cliente me chamou burro ou filho da puta eu admito que fiquei muito preocupado porque não consegui satisfazer os desejos do cliente, hoje em dia quando me chamam algo parecido, e começo a achar que esses clientes não pretendem resolver os seus problemas, o objectivo dos seus contactos é mesmo só para aliviar o stress.

Há que pensar no serviço de apoio ao cliente como um serviço de terapia Zen. As pessoas podem ligar, fazer perguntas ou exigências parvas e quando o assistente responder que não… Chamam-lhe cabrão, drogado, burro, etc. Os pontos positivos desta terapia são, em primeiro lugar, (e aproveitando as palavras de uma cliente que atendi ontem) “[os assitentes] não são pagos para responder, são pagos para ouvir e calar” e, em segundo lugar, mesmo que um assistente perca a paciência, o facto de estar do outro lado da linha faz com que seja uma interacção segura.

Mas, aproveitando o post, vou vos contar a ultima:

Atendi hoje eu um cliente que muito aborrecido com a operadora, não percebia porque não conseguia carregar o telemóvel. De acordo com o nosso processo, dei inicio ao despiste:
-Senhor X, pode-me indicar como é que está a proceder ao pagamento?
(Antes de mais há que saber se o cliente está a efectuar um carregamento pelo método dos pagamentos de serviços ou pelos pagamentos de telemóveis)
-Mas você acha que eu não sei fazer um carregamento? Eu já tenho o meu telemóvel á muito tempo e sou eu sempre a fazer os carregamentos. O problema é que vocês só sabem arranjar desculpas de merda para os telemóveis nunca estarem a funcionar.
-Senhor X, lamento a situação, mas preciso que me indique como está a fazer o pagamento para perceber qual o erro e o mesmo poder ser corrigido.
-Mas se quer saber o erro veja no seu computador. Não é para isso que você tem um computador? Eu só quero que me deixem carregar o meu telemóvel.
(Tendo em conta que o cliente estava muito enervado mudei de pergunta para não piorar a situação e mais tarde reformulava a questão da metodologia)
-Senhor X, pode-me indicar qual é o erro que está a aparecer quando tenta efectuar o pagamento?
-Ai o caralho! Foda-se! Diz “O seu saldo não lhe permite efectuar esta operação”
-Senhor X, lamento, mas o problema está relacionado com o seu saldo bancário, tem que contactar é o banco.
-Foda-se! Agora a culpa é do banco. Caralho! É que vocês têm uma lata! Qualquer dia mudo para outra rede, estou farto das vossas merdas.
(E após este comentário de génio, desligou-me a chamada.)